Comunicado
A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil de Bocaiuva vem a público informar que desde o último sábado, 19, quando da ocorrência do primeiro abalo sísmico na cidade vizinha de Montes Claros, vem monitorando a situação no município.
Através de contatos constantes com a Defesa Civil de Belo Horizonte e com o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, por meio dos boletins sismográficos, constatamos que os eventos atuais dos tremores de terra ocorreram isoladamente em Montes claros.
Chegou ao nosso conhecimento um relato de possível abalo que teria ocorrido na comunidade do Recanto dos Evangélicos, distante cerca de 10 km de Bocaiuva. Após averiguação no local, foi descartado a ocorrência do abalo. Por meio dos boletins e contato com o Observatório Sismológico e constatou-se que o suposto evento seria proveniente do pânico causado pelos acontecimentos na cidade vizinha.
A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil vem trabalhando no sentido de coibir ações como essa, criadas por pessoas que, de uma maneira ou outra, buscam se aproveitar da situação de um evento de magnitude complexa, para semear o pânico e gerar uma situação que não existe no nosso cotidiano.
Novamente, reinteramos que os epicentros dos abalos terrestres estão ocorrendo somente na cidade de Montes Claros, não atingindo a região de Bocaiuva.
A COMDEC funciona no antigo prédio da Prefeitura, na praça Wan-Dick Dumont, e atende pelo telefone (38) 8823-8028.
COMDEC BOCAIUVA. Sempre presente, Sempre Alerta.
Marcelo Vieira Gomes – Tecnólogo em Segurança no Trabalho
Coordenador Municipal de Defesa Civil
22 Maio, 2012
Defesa Civil divulga comunicado sobre suposto tremor em Bocaiuva
Um relato de suposto tremor de terra no municípío de Bocaiuva levou a Defesa Civil local a averiguar o ocorrido. Segundo o coordenador da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC), Marcelo Vieira Gomes, uma moradora da localidade de Recanto dos Evangélicos relatou ter sentido um tremor. Após a verificação no logal, a COMDEC divulgou um comunicado objetivando informar e tranquilizar a população:
21 Maio, 2012
65 anos do Eclipse Solar de Bocaiuva
Considerado
como o evento científico mais importante acontecido em Bocaiuva, Norte de Minas,
o Eclipse Total do Sol completou 65 anos do seu acontecimento neste domingo, 20 de maio.
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| O B-17, da Força Aérea Americana, fotografou o fenômeno |
Até hoje é
controverso o motivo da escolha da cidade para a observação do fenômeno que ficou conhecido como o Eclipse de Bocaiuva e que deslocou para o pequeno vilarejo no
sertão brasileiro equipamentos da mais alta tecnologia, à epoca, e aviões de grande porte, como o B-17, conhecido como a Fortaleza Voadora.
Participaram
efetivamente do estudo do fenômeno, cientistas e militares, entre
norte-americanos, russos e ingleses, além da cobertura da mídia de alcance
mundial, como a Rede NBC e a National Geographic Society, e também da imprensa
nacional, como a revista O Cruzeiro.
Seis décadas
e meia depois, pouco resta dos vestígios do acampamento onde foram instalados
os telescópios e a base de operações na região da Extrema, na zona rural distante
cerca de 15 km de Bocaiuva.
No local,
podem ser vistos apenas vestígios das bases dos enormes telescópios e o marco
do Eclipse, este, protegido por lei. Perto dali, a ruína de uma escola
municipal que depois de construída entre o final dos anos 1990 e início dos
anos 2000, não chegou, sequer, a entrar em funcionamento.
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| Marco do Eclipse de 1947 resiste ao tempo e ao abandono. (Foto: Jair Bastos) |
O Clube
de Astronomia Amadora de Bocaiuva, recém-fundado, tem planejado, silenciosa,
mas efetivamente, a implementação de projetos para o resgate deste importante
acontecimento para o município e aproveitar esta herança de patrimônio
histórico-científico para o desenvolvimento local.
Entre os
projetos, está a aquisição de um telescópio para incentivar a prática da Astronomia
entre crianças e adolescentes, fomentando uma nova geração de admiradores da Ciência.
Para o
jornalista Jair Bastos, um dos fundadores do Clube de Astronomia, não se pode
deixar de lado algo tão relevante para a história mundial. “Muitos aspectos
estão envolvidos nesse fenômeno que é pouco conhecido pela nossa população”,
ressalta.
“Precisamos
dar valor ao passado, agir no presente e construir para um futuro melhor”, diz,
referindo-se à necessidade de recuperar o patrimônio deteriorado para que não
se perca ainda mais do que restou do Eclipse de 1947.
Histórica astronômica*
Terra natal de Herbert de Souza - o
Betinho, da Ação da Cidadania contra a fome e a miséria -, de José Maria Alkmim
- amigo de Juscelino Kubitscheck, ex-ministro da Fazenda, ex-vice-presidente da
República -; de Patrus Ananias – ex-ministro do Desenvolvimento Social -, e de
tantos outros filhos ilustres, o município de Bocaiuva foi cenário de um
acontecimento que o colocou em evidência em todo mundo. O ano foi 1947.
Bocaiúva era o local
escolhido.
Cientistas e militares de vários países aportaram na
cidade para observar o primeiro eclipse solar previsto cientificamente. Fizeram
um verdadeiro acampamento de guerra na região conhecida como Extrema, na zona
rural, há cerca de 15 km do centro da cidade. Telescópios, balões
meteorológicos e todos os equipamentos de ponta estavam à disposição da equipe
de cientistas.
Além dos veículos de transporte terrestre, a Fortaleza Voadora
B-17"pousava e decolava da pista construída especialmente para receber as
aeronaves. O fato foi observado por cientistas e pela imprensa mundial.
Segundo
reportagem da Folha de São
Paulo, de 20 de maio de 1947, após o eclipse as primeiras declarações dos
cientistas americanos e brasileiros que observam a marcha do eclipse foram as
seguintes: “Perfeito o trabalho. Raramente se poderá conseguir um campo de
observação com as condições atmosféricas tão propícias como as que predominaram
esta manhã em Bocaiuva”.
De acordo com Centro de Estudos Astronômicos de
Minas Gerais (Ceamig), “aquele eclipse era muito importante para a
astronomia internacional, pois, após a guerra, era a primeira oportunidade de
se observar um eclipse de grande duração, e que seria visível em regiões com
boas qualidades logísticas”.
Ainda de acordo com a entidade, George Van
Biesbroeck, do Observatório de Yerkes, EUA, planejava observar o efeito
Einstein, como forma de tentar comprovar a Teoria da Relatividade.
Dessa forma,
Bocaiuva é conhecida no cenário astronômico como a Capital Espacial.
* Adaptação do texto publicado originalmente no post Meteorito Bocaiuva apresentado em evento na UFMG.
19 Maio, 2012
Terra treme em Montes Claros, de novo
Por volta das 10h30 deste sábado (19), um tremor de terra voltou
a assustar os moradores de Montes Claros, no Norte de Minas. De acordo com
alguns moradores da região centro-sul, este foi o maior dos abalos ocorridos na
cidade.
O tremor mais recente registrado pelo Observatório
Sismólogico da Universidade de Brasília (UnB) em abril deste ano, atingiu 3,0
graus da Escala Richter, que vai até 10. Segundo a instituição, foram registrados mais de
dez abalos nos últimos dois anos em Montes Claros.
O abalo provocou um grande temor na população, que se sente
insegura. Associado ao anúncio do fim do mundo, este ano, de acordo com uma profecia da antiga civilização maia, as pregações religiosas tiveram vez, como relata a
revista eletrônica Conteúdo Cristão. Segundo o magazine, um jovem conhecido por Waldiney, aproveitou a oportunidade para
“descer a bíblia” nos moradores que saíram desesperados de suas casas para ver
o que havia acontecido.
O Observatório Sismológico de Brasília ainda não divulgou a
intensidade nem a magnitude do fenômeno. O site do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na
sigla em inglês) também não relatou nenhuma atividade na região.
Os serviços de urgência e emergência não divulgaram nota a
respeito.
30 Abril, 2012
Cartórios eleitorais farão plantão no feriado do Dia do Trabalhador
O cidadão que precisa tirar ou transferir o título de eleitor para
votar nas eleições de outubro terá à sua disposição, nesta terça-feira
(1º de maio), feriado do Dia do Trabalhador, plantão nos 351 cartórios
eleitorais do Estado.
Em Belo Horizonte, a Central de Atendimento ao Eleitor (Avenida do Contorno, 7.038, Lourdes) e os cartórios do Barreiro (Rua Alcindo Viera, 67, Barreiro de Baixo) e de Venda Nova (Avenida Doutor Álvaro Camargos, 2.480, Santa Mônica) funcionam das 8h às 17h.
Nos Pólos de Atendimento ao Eleitor dos outros quatro maiores colégios eleitorais de Minas Gerais, a escala de plantão é a seguinte:
- Uberlândia – 8h às 18h (até 9 de maio)
- Contagem – no feriado e no fim de semana de 10h às 18h, e nos demais dias, até o dia 9 de maio, será de 8h às 18h;
- Juiz de Fora – 12 às 18h, e às quartas-feiras, de 10h às 16h (no dia 9 de maio o atendimento vai até as 17h);
- Betim – 12h às 18h (no feriado), nos outros dias 10h às 18h.
Nas demais unidades do interior, o atendimento ao público é de 12h às 18h no feriado.
(NR) Em Bocaiuva, o Cartório da 44ª Zona Eleitoral fica na rua Celestino José, 67, no Centro, próximo à Praça de Esportes. O telefone é (38) 3251-1166. Além de Bocaiuva, a 44ª Zona Eleitoral compreende os municípios de Olhos d'Água, Guaraciama, Engenheiro Navarro e Francisco Dumont.
Disque-eleitor
O eleitor também terá à disposição para tirar dúvidas o Disque-Eleitor (3291-0004 ou 148), que neste feriado de primeiro de maio atenderá de 8h às 18h. Haverá plantão nos cartórios eleitorais do Estado, também, nos dias 5 e 6 de maio (sábado e domingo).
Documentos
Para tirar o título, o eleitor deve apresentar documento de identidade com foto e comprovante de endereço (conta recente de luz, água, telefone). Homens entre 18 e 45 anos devem apresentar também comprovante de quitação do serviço militar. Para transferência de domicílio eleitoral, exigem-se documento de identidade com foto, comprovante de residência há no mínimo três meses no novo endereço e título de eleitor, se ainda o possuir.
O prazo de alistamento eleitoral termina no dia 9 de maio. Os eleitores com dificuldade de locomoção, como idosos e pessoas com deficiência, também devem ficar atentos porque o dia 9 de maio também é o prazo final para que eles peçam a transferência do título para uma seção especial de fácil acesso. Em Minas, existem 2.260 seções de fácil acesso.
Fonte: TRE-MG
Em Belo Horizonte, a Central de Atendimento ao Eleitor (Avenida do Contorno, 7.038, Lourdes) e os cartórios do Barreiro (Rua Alcindo Viera, 67, Barreiro de Baixo) e de Venda Nova (Avenida Doutor Álvaro Camargos, 2.480, Santa Mônica) funcionam das 8h às 17h.
Nos Pólos de Atendimento ao Eleitor dos outros quatro maiores colégios eleitorais de Minas Gerais, a escala de plantão é a seguinte:
- Uberlândia – 8h às 18h (até 9 de maio)
- Contagem – no feriado e no fim de semana de 10h às 18h, e nos demais dias, até o dia 9 de maio, será de 8h às 18h;
- Juiz de Fora – 12 às 18h, e às quartas-feiras, de 10h às 16h (no dia 9 de maio o atendimento vai até as 17h);
- Betim – 12h às 18h (no feriado), nos outros dias 10h às 18h.
Nas demais unidades do interior, o atendimento ao público é de 12h às 18h no feriado.
(NR) Em Bocaiuva, o Cartório da 44ª Zona Eleitoral fica na rua Celestino José, 67, no Centro, próximo à Praça de Esportes. O telefone é (38) 3251-1166. Além de Bocaiuva, a 44ª Zona Eleitoral compreende os municípios de Olhos d'Água, Guaraciama, Engenheiro Navarro e Francisco Dumont.
Disque-eleitor
O eleitor também terá à disposição para tirar dúvidas o Disque-Eleitor (3291-0004 ou 148), que neste feriado de primeiro de maio atenderá de 8h às 18h. Haverá plantão nos cartórios eleitorais do Estado, também, nos dias 5 e 6 de maio (sábado e domingo).
Documentos
Para tirar o título, o eleitor deve apresentar documento de identidade com foto e comprovante de endereço (conta recente de luz, água, telefone). Homens entre 18 e 45 anos devem apresentar também comprovante de quitação do serviço militar. Para transferência de domicílio eleitoral, exigem-se documento de identidade com foto, comprovante de residência há no mínimo três meses no novo endereço e título de eleitor, se ainda o possuir.
O prazo de alistamento eleitoral termina no dia 9 de maio. Os eleitores com dificuldade de locomoção, como idosos e pessoas com deficiência, também devem ficar atentos porque o dia 9 de maio também é o prazo final para que eles peçam a transferência do título para uma seção especial de fácil acesso. Em Minas, existem 2.260 seções de fácil acesso.
Fonte: TRE-MG
Controle social é a única receita para a CPI acontecer corretamente, afirma especialista
Nunca
antes na história desse país tantos casos de corrupção ganharam as
páginas da imprensa. Depois das inúmeras irregularidades em convênios
com entidades privadas sem fins lucrativos no ano passado, vieram à tona
denúncias que ligam o contraventor Carlinhos Cachoeira, preso na
Operação Monte Carlo da Polícia Federal, ao senador Demóstenes Torres,
aos governos de Goiás e Distrito Federal e, até mesmo, à União, por meio
da maior empreiteira de obras federais do país, a Delta Construções
S.A.
Servindo
como cortina de fumaça ou não para o julgamento do Mensalão, as
denúncias levaram à criação e instalação de uma CPI no Congresso
Nacional. Para o professor de ética e filosofia na Universidade de
Campinas, Roberto Romano, a pressão social transformada em controle
social é a única receita para que essa CPI aconteça da maneira correta.
“Caso contrário, a tendência é que as denúncias caiam no esquecimento e
que o Congresso finja que realizou a CPI”, explica.
Confira a entrevista completa que o Contas Abertas realizou com o especialista.
Contas Abertas
(CA) - O senhor acredita que a CPI do caso Cachoeira poderá servir como
cortina de fumaça para abafar o julgamento do Mensalão?
Roberto Romano –
No mundo político todos os estratagemas são possíveis. Como disse o
soberano Francês, Luis XI: “Quem não sabe dissimular, não sabe
governar”. Todos os eventos políticos, principalmente os que prezam pela
moralidade da coisa pública, devem ser vistos com muita atenção pelos
cidadãos e pela imprensa. Atrás da nuvem existem objetivos não
confessados.
CA – O que será mais difícil nesta CPI?
Romano –
Será decifrar quais os objetivos de cada integrante da Comissão. Além
disso, entender os interesses de atores que não aparecem, como o
ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, José Dirceu e até mesmo membros
do Supremo Tribunal Federal, que além do julgamento do Mensalão,
possuem acesso aos dados secretos da Polícia Federal. Ainda precisamos
considerar os empresários que desejam o afastamento da Delta de obras e
licitações do governo federal. O mais difícil nas investigações será
falar de todos os elementos, atores e alvos em jogo nesta CPI e
desvendar seus reais interesses.
CA – Como será uma CPI onde as denúncias podem atingir tanto a oposição como a base governista?
Romano –
É exatamente por essa trama que a CPI do Cachoeira exige a máxima
atenção do público e da imprensa. Teremos que analisar o comportamento
dos integrantes da Comissão. O poder do relator e do presidente da CPI é
muito grande e o governo tem maioria esmagadora. Se a oposição, que
integra a Comissão de maneira reduzida, indicar documentos, por exemplo,
que possam apontar erros de aliados ou setores do governo e isso não
constar nos autos das investigações, a CPI perde a chance de ter bons
resultados e passa a ser mera dissimulação dos envolvidos.
CA – Sabe-se como
inicia uma CPI, mas nunca como acaba. Qual o principal motivo para tal
fato, na sua opinião? Onde que a legislação falha?
Romano –
O que acontece é que existem CPIs que contam com movimentos
organizados, que exigem a apuração com responsabilidade e pressionam por
punições. Foi o que aconteceu com a CPI que levou ao impeachment do
ex-presidente Fernando Collor. Naquele momento, havia o apoio, mesmo que
rachado, do PMDB e do PT a favor do impeachment. Além disso, a imprensa
e o movimento estudantil estavam mobilizados para que os resultados
aparecessem. As investigações que ocorreram depois, embora tivessem
importância, não envolveram outro ator tão emblemático e, por isso, não
chegaram a ter repercussão nacional.
CA – O senhor acredita que a sociedade possa se organizar novamente em favor de uma causa?
Romano –
Atualmente, parte da sociedade está se organizando e a prova disso são
os atos de contra a corrupção que aconteceram nos quatro cantos do país
no último sábado (21). Porém, as manifestações ainda acontecem em nível
muito menor do que na época de Collor. Se a sociedade conseguir se
mobilizar é provável que alcance resultados eficazes, assim como
aconteceu com a votação do Ficha Limpa. Porém, se houver um cochilo, se
deixar o controle social sobre a CPI fracassar, os atores e responsáveis
vão “sair para o abraço”.
CA – Na sua
visão, quais as consequências políticas da principal empreiteira do
maior programa do governo, o PAC, estar envolvida em escândalos por todo
o país?
Romano –
Há um erro que se repete há muito tempo nas Comissões Parlamentares do
Congresso Nacional. Sempre lidamos com os corrompidos e não com os
corruptores. O caso Delta, embora assuste pela dimensão dos negócios que
se mostraram ilícitos, não é novidade. A tradição de empreiteiras que
assumem o papel de “Estado” dentro do Estado é muito antiga. Desde
Getúlio Vargas, passando por Dutra e culminando nos governo JK e no
regime militar, a construção de rodovias e até cidade inteiras que
surgiram muito rapidamente permitiram o povoamento para o interior,
fruto da ação de empreiteiras. Por isso, esse “Know-how” e permeou para
outras empresas ao longo dos anos. Esse caso deveria ser visto na
dimensão histórica, da qual a Delta não foi a primeira e não será a
última.
CA – Quais mudanças políticas poderiam ajudar no bom encaminhamento de CPIs?
Romano –
A regulamentação do Lobby é elemento urgente e que está há muito tempo
nas gavetas do Congresso Nacional. O que são senadores e deputados, se
não, lobistas? Essa forma de lidar com o poder público, defendendo
interesses privados, prejudica e impede a concorrência entre as
empresas, fator fundamental no sistema capitalista. Os representantes do
povo precisam servir para aqueles que o elegeram, por isso estão no
Poder, mas não é o que acontece.
Existem lobbies
praticamente inconfessáveis, como é o caso do Demóstenes Torres com
Carlinhos Cachoeira. O parlamentar era considerado uma das principais
vozes da oposição, quando, na verdade era apenas lobista de Cachoeira.
Há um sociólogo que diz que se nós fizéssemos no Congresso como no
futebol, que cada time coloca o logotipo dos patrocinadores nos
uniformes, seria mais fácil identificar as prioridades e interesses.
CA – Quais mudanças a regulamentação do lobby traria?
Romano –
A partir da instituição do lobby, boa parte dos parlamentares iria
decidir se é lobista ou de fato governante e representante do povo, se é
legislador pró-governo ou oposição. O Legislativo precisa readquirir o
respeito da população, que o Executivo, nas figuras dos últimos
presidentes, conseguiu alcançar de forma histórica. Se quiser merecer o
respeito da população não pode ter representantes de interesses
privados. Agir como lobista prejudica outros investidores e outros
empresários, mas os verdadeiros prejudicados são os pagadores dos
maiores impostos do planeta: os brasileiros.
CA – Há uma
pressão social para que essa CPI não acabe em pizza. O senhor acredita
que o maior controle social pode evitar que a tradição da pizza se
repita?
Romano –
A pressão social transformada em controle social é a única receita para
que essa CPI aconteça da maneira correta. Caso contrário, a tendência é
que as denúncias caiam no esquecimento e que o Congresso finja que
realizou a CPI.
CA – A gama de
escândalos de corrupção que vem se alastrando desde o ano passado
enfraquece o governo ou demonstra mais atitude no combate de
irregularidades?
Romano –
Enfraquece o Estado brasileiro na totalidade. O prejuízo se dá em todos
os âmbitos e mostra, também, a fraqueza do governo em relação ao
combate à corrupção. A Controladoria Geral de União (CGU) faz excelente e
relevante trabalho neste sentido, mas, no caso da Delta, por exemplo,
não houve tempo, nem pessoal para cumprir o papel de fiscalização. A
empreiteira de Cavendish já poderia ter sido desvinculada de ações
governamentais desde o ano passado, quando já constavam notificações de
diversas irregularidades.
A CGU é uma instituição
pequena, com poucos funcionários. Apesar de bons resultados, ainda falha
em casos como esse. É necessário que se faça a instalação de
instituições similares em todos os níveis da administração pública para
acabar com essa supercentralização nas fiscalizações da Controladoria,
que já não dá conta de controlar tudo. É preciso ressaltar a
honorabilidade do ministro Jorge Hage que tem realizado trabalho imenso
no combate à corrupção. Em situações como essa, que abrange toda a
continentalidade do Brasil, é tarefa sobre-humana exigir tal competência
da CGU.
CA – Temos 139
projetos de lei que visam o maior combate à corrupção parados no
Congresso. O senhor acredita que há certa má vontade em relação ao tema?
Romano –
Com o devido respeito ao Poder Legislativo, não podemos pedir que a
raposa tome conta do galinheiro. Não podemos esperar que apenas os
congressistas editem leis contra o roubo dos nossos ovos de ouro. Essa é
a questão essencial da democracia: a prestação de contas e
responsabilização do agente público. Nesses casos, os maiores avanços
partem do Ministério Público, dos movimentos sociais e da imprensa, que,
nos últimos meses levaram à votação do Ficha Limpa. Mesmo assim, os
parlamentares não fizeram isso de bom grado e atenuaram a Lei com
vírgulas e travessões, além de terem atrasado a decisão em pelo menos
dois anos.
CA – Qual seria a melhor solução?
Romano –
Qualquer avanço para o combate à corrupção só pode vir de quem paga
impostos ou pelo Quarto Poder: a imprensa. Até o governo Collor, a
imprensa não dependia tanto de fitas gravadas pela Polícia Federal, mas
parte do jornalismo tornou-se preguiçoso. A nossa imprensa não pode
ficar presa aos alvos desconhecidos liberados pelas entidades
governamentais que também possuem vários interesses conflitantes. É
preciso que a imprensa tenha mais autonomia.
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Servindo
como cortina de fumaça ou não para o julgamento do Mensalão, as
denúncias levaram à criação e instalação de uma CPI no Congresso
Nacional. Para o professor de ética e filosofia na Universidade de
Campinas, Roberto Romano, a pressão social transformada em controle
social é a única receita para que essa CPI aconteça da maneira correta.
“Caso contrário, a tendência é que as denúncias caiam no esquecimento e
que o Congresso finja que realizou a CPI”, explica.