Pages

20 maio, 2010

Escravidão e o golpe militar foram motivadores para ocupação de fazenda em Bocaiuva

JAIR BASTOS* (@jairbastos)

O terreno ocupado abrigou uma das primeiras usinas de açúcar da região. À direita, a torre da chaminé que fazia parte da estrutura fabril é testemunha da história (foto: Jair Bastos)

Além da extensão de aproximadamente 3,5 mil hectares, a história que envolve as terras da Fazenda Sítio, em Bocaiuva, Norte de Minas, foi motivadora para a ocupação feita pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), na madrugada do domingo, 16.

A Fazenda Sítio é tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal devido aos vestígios da época da escravidão. Entre os artefatos presentes estão o tronco e o cepo utilizado para castigar os cativos. Historiadores relatam a presença de ruínas do que foi uma senzala que abrigava os escravos do lugar. Também estão ali, casas utilizadas por José Maria Alkmim (1901-1974), legendário político bocaiuvense, que foi ministro da Fazenda no governo de Juscelino Kubitscheck e vice do marechal Castelo Branco (1897-1967), primeiro presidente do regime militar, durante o período de 1964-1967.
Telhado foi colocado para preservar o artefato utilizado para castigar os cativos rebeldes. Ao fundo, a primeira sede da fazenda de José Maria Alkmim (foto: Jair Bastos)
ALKMIM E OS MILITARES
Este, aliás, é um dos fatores que motivaram a ocupação, segundo o movimento. Os veículos de comunicação ligados ao MST consideram Alkmim como um dos articuladores do Golpe de 1964. Relatos não confirmados dizem respeito a reuniões de José Maria Alkmim fazia com militares, antes e durante o período da ditadura, na varanda da casa que fica na sede da fazenda ocupada.
Foi justamente no Governo Castelo Branco que organizações como o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), as ligas camponesas e a União Nacional dos Estudantes (UNE) foram perseguidas e reprimidas, sendo enquadradas na Lei de Segurança Militar, que foi germinada no Ato Institucional nr. 1, do qual José Maria Alkmim foi um dos redatores. O AI-1, como ficou conhecido do documento, entre outras coisas, suspendia os direitos políticos de todos os cidadãos vistos como opositores ao regime militar, dentre eles, congressistas, militares e governadores.

Também empresários foram investigados. Foi o caso dos donos da Panair do Brasil, a maior companhia aérea do país, na época, que teve a sua licença para voar cassada e o patrimônio temporariamente confiscado porque o grupo acionário era ligado a líderes comunistas e a Juscelino Kubitschek.

A SITUAÇÃO DO LUGAR
Aproximadamente 500 pessoas, entre adultos, crianças e idosos, estão acampadas no pátio da propriedade, distante 55 km de Bocaiuva. De acordo com Edvaldo 'Primo' Soares, um dos coordenadores do MST e responsável pelo contato com a imprensa, o local foi escolhido por causa das características peculiares.

"Estamos aqui para retomar a dignidade daqueles que foram escravizados neste lugar, daqueles homens e mulheres que deram seu sangue e seu suor", diz. “Muitos perderam suas vidas neste lugar”, relembra o coordenador.
Sem-terra estão acampados em barraca coletiva. (foto: Jair Bastos)
Primo afirmou que várias pessoas foram mobilizadas em Bocaiuva para participarem da ocupação. “Muitos bocaiuvenses estão aqui e nós aguardamos, ainda, pelo menos 80 famílias que estão na região do entorno da fazenda para se juntar a nós”, disse o sem-terra.
A Polícia Militar e a Polícia Civil estiveram no local, na segunda-feira, 17, para conhecer a situação que se apresentava no lugar. O comandante do pelotão de Bocaiuva, Tenente Franco, juntamente com outros policiais, conversou com os sem-terra para garantir a segurança dos moradores do lugar. Conforme o oficial, a chegada dos manifestantes foi feita de forma tranqüila e pacífica, sem nenhum confronto com os responsáveis pelo local ou com os moradores.
NOVAS OCUPAÇÕES
“A ocupação vem sendo planejada há pelo menos dois anos, depois de uma extensa pesquisa para conhecer a área”, revelou Primo. “São cerca 3,5 mil hectares de terras que estavam improdutivas e sem nenhuma função social”, destaca. A Coordenação Estadual do MST confirmou a ocupação e reivindica a desapropriação imediata das terras. Além disso, querem “o assentamento de todas as famílias acampadas em Minas Gerais e assistência técnica e liberação de crédito agrícola para as famílias assentadas”.
Primo citou outras propriedades na região norte-mineira, como a fazenda do vice-presidente José Alencar, em Pedras de Maria da Cruz, como sendo latifúndio improdutivo, sem dizer , no entanto, se é intenção do MST promover a ocupação aquelas terras. Porém, reafirmou que a existência de grandes extensões de terra improdutivas é uma realidade da região e que o movimento não vai parar por aqui.
Acampados, os trabalhadores sem-terra exigem a imediata resolução do conflito (foto: Jair Bastos)
A CPT E O MST
Coincidências à parte, a ocupação acontece na mesma semana em que se realiza o 3º Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Montes Claros. Com o lema “No clamor dos povos da terra, a memória e a resistência em defesa da vida!”, o congresso pretende discutir novas formas utilização social da terra, o desenvolvimento sustentável e recuperação dos biomas e a situação dos assentamentos no país. Em nota divulgada à imprensa, a CPT apoia a ocupação na Fazenda Sítio, reafirmando que “o latifúndio não possui função social e está abandonado”.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra surgiu em 1984 com a participação de trabalhadores rurais e organizações ligadas à reforma agrária, centrais sindicais, e pastorais da Igreja Católica, como a própria CPT. De acordo com a nota dos sem-terra, o MST “é fruto da história da concentração fundiária que marca o Brasil desde 1500”.
Dentre suas atividades, “o MST defende um programa de desenvolvimento para o Brasil, que priorize a solução dos problemas do povo, por meio da distribuição da terra, criação de empregos, geração de renda, acesso a educação e saúde e produção e fornecimento de alimentos”.

17 maio, 2010

MST ocupa fazenda que utilizava escravos

A ocupação tem questões históricas envolvidas. Ao fundo, à direita, chaminé da usina de açúcar que funcionou no século passado.

"Queremos retomar a dignidade daqueles que foram escravizados neste lugar, daqueles que deram seu sangue e seu suor", diz Edvaldo 'Primo' Soares, um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, se referindo à Fazenda Sítio, ocupada desde a madrugada de domingo, 16.

Cerca de 100 famílias, inclusive crianças e idosos, estão acampadas no pátio da fazenda, distante 55 km de Bocaiuva, no Norte de Minas.

De acordo com Primo, o local da ocupação foi escolhido por suas características peculiares. “Muitos perderam suas vidas neste lugar”, relembra o coordenador. Ele se refere aos trabalhadores que sofreram a escravidão no início do séc. XX, na fazenda que abrigou uma das primeiras usinas de açúcar da região.


O local é patrimônio histórico municipal e contém, até hoje, os instrumentos utilizados para o castigo dos escravos, como o tronco e o cepo (foto abaixo).


Texto e fotos: Jair Bastos


10 abril, 2010

Flashes do Trófeu Bola Cheia Sebastião Cleto

Veja aqui, os melhores momentos do Troféu Bola Cheia Sebastião Cleto 2009, realizado em Bocaiuva. Entre as presenças, o ex-jogador do Cruzeiro e Atlético-MG, Prócopio Cardoso. O evento aconteceu na noite de sexta-feira, 9, no Centro Cultural Henfil.

Os homenageados da noite: o 'advogado da bola', Procópio Cardoso, 
e o paraninfo do troféu, Sebastião Cleto, o Amorzinho.


O professor Paulo Roberto entrega o trófeu ao ex-goleiro da Associação Atlética
Gastão Valle, Carlos Ferreira de Oliveira, o Vi de João Mano.

O técnico Tuzinho recebe o troféu especial do sargento Veloso.


Zagueiro do Juventus Futebol Clube por muitos anos, Sebastião Otávio de Assis Freire, 
o Tião de Zué, recebe o Troféu Sebastião Cleto 2009 
do idealizador do prêmio em Montes Claros, Denart d'Ávila

Fotos: Jair Bastos 

25 fevereiro, 2010

Cinema Comentado e CineSesc fecham fevereiro com mais dois premiados

Nesse sábado, 27/02, o Cinema Comentado Cineclube e o CineSesc encerram a discussão sobre o cinema indiano exibindo O MUNDO DE APU (1959) – capítulo final da premiada trilogia do diretor Satyajit Ray. Apu é um ex-estudante desempregado que sonha com um vago futuro como escritor. Um antigo colega convence-o a ir com ele a um casamento na província. A sua vida vai mudar, pois o noivo enlouquece e Apu acaba casando-se e regressa a Calcutá com a sua bela mulher. Mas Aparna morre no parto e o filho Kajal é abandonado aos cuidados dos avôs. Só após um longo período de total indiferença, Apu se encontra preparado para voltar ao mundo.

Para concluir a trilogia, Ray destaca, com força, a humanidade dos personagens. Este terceiro filme já não possui cenários tão belos como o primeiro, a natureza (principalmente em seu início) não está tão presente, mas o cineasta não abandona a tenura: ela cresce aos poucos, à medida que Apu e Aparna se apaixonam. O MUNDO DE APU, ainda que focado na racionalidade e crescimento do protagonista agora só, é um belo conjunto de pequenos instantes simbólicos e majestoso uso de imagens como metáforas. É um filme que simboliza a quase desistência, o rompimento com a idéia de “invencibilidade”, uma imensidão de um mundo e uma nova ironia de Ray.

A realidade da “Trilogia de Apu” é dura, cruel, seca. A existência é paradoxalmente repleta de vida (ainda que entremeada de tantas mortes), de natureza, sons, movimento. Ray passeia entre o bem e o mal, a saúde e a doença, a vida e a morte, numa doçura e realismo impressionantes. Sua maneira de dissecar a realidade social da Índia incorpora perfeitamente o humanismo e a sensibilidade herdadas do neo-realismo italiano.

A crítica Úrsula Rösele (site FilmesPolvo) define muito bem a obra de Satyajit Ray: “Apesar de serem filmes permeados por muitas tragédias, fome e pobreza, há sempre uma idéia de esperança em seus planos, em sua construção cênica. Essa parece ser, para além da história que ele sabe muito bem contar, uma esperança no cinema, em seu potencial e sua força artística”.

O Cinema Comentado Cineclube, em parceria com o CineSesc, acontece todo sábado, a partir das 19h, no Salão de Convenções do Sesc-Pousada Montes Claros – Rua Viúva Francisco Ribeiro 199 (Ginásio do Sesc). A entrada é gratuita e há sempre um bate-papo após as exibições.


Guerra, sonhos e humor no domingo 



No domingo, dia 28/02, o CineSesc e o Cinema Comentado Cineclube fecham o mês de fevereiro com a exibição de “UNDERGROUND – MENTIRAS DE GUERRA” (1995), do diretor Emir Kusturica. Situações surreais, humor, política, aventura, tragédia, poesia, pátria. Um dos grandes filmes da história do cinema mundial (foto), Palma de Ouro no Festival de Cannes, a trama se passa durante a Segunda Guerra, quando dois amigos fazem fortuna utilizando um grupo de refugiados num porão para produzir armas que vendem no mercado negro. Ao final do conflito, continuam iludindo o grupo por quinze anos, para poder explorá-los. Uma visão crítica da realidade humana, social e política, o filme é uma alegoria perfeita para os dias que correm.

Em UNDERGROUND, Kusturica apresenta de maneira bastante irônica o último meio século de conflitos na sua Iugoslávia, da invasão nazista na segunda grande guerra até a invasão norte-americana na recente guerra dos Balcãs. A absurda vila subterrânea se transforma numa pequena e delirante fábrica; os anos passam e os conflitos continuam, numa situação completamente caótica, criada pela genialidade do cineasta, que mistura o realismo socialista com imagens surrealistas e metáforas de situações sociais e políticas da história. Numa das primeiras cenas mágicas do filme, dezenas de animais exóticos fogem do zoológico de Belgrado debaixo do bombardeio nazista.

Kusturica nasceu em Sarajevo (atual Bósnia) e começou a fazer cinema ainda no colégio, dirigindo filmes independentes, muitos deles premiados em festivais nacionais amadores. Foi um dos mais brilhantes alunos da Famu, a academia cinematográfica de Praga, onde estudou de 1973 a 1977. Por seu projeto de graduação, o curta-metragem em preto-e-branco “Guernica”, ganhou o primeiro prêmio do Festival Internacional de Cinema Estudantil, em Karlovy-Vary (República Tcheca). Sua obra coleciona prêmios em Cannes, Berlim e Veneza sempre incorporando elementos da realidade e dos sonhos numa narrativa crítica e irônica.

Para Fábio Rossano Dario (site CinePlayers), o cineasta é “uma figura pagã, anárquica, poética, uma mente fértil, cheia de fantasias surrealistas, com um estilo próprio e único. Talvez possamos enxergar um pouco de Felini em algumas cenas tragicômicas de UNDERGROUND. Nos seus filmes pode-se sentir a forte presença circense e cigana. As imagens, as cores e a dramaticidade dos atores, muitas vezes amadores, são muito valorizadas, assim como a música. Para quem é apaixonado pelo cinema europeu, UNDERGROUND, assim como toda a obra de Kusturica deve ser vista”.

O CineSesc acontece em parceria com o Cinema Comentado Cineclube e a Programadora Brasil, apresentando sessões todos os domingos, no Salão de Convenções do Sesc-Pousada Montes Claros, a partir das 19h. O endereço do Salão é Rua Viúva Francisco Ribeiro 199 (Ginásio do Sesc). As sessões são gratuitas, abertas a todos os interessados, e depois acontece um bate-papo com a platéia sobre o filme apresentado.

PROXIMAS ATRAÇÕES: 

06/03 - Jogo de Cena (2007), dir: Eduardo Coutinho.
07/03 - Um Beijo Roubado (2007), dir: Wong Kar-Wai.
13/03 - Down by Law (1986), dir: Jim Jarmusch.
14/03 - A Culpa é do Fidel (2006), dir: Julie Gavras.

Fonte: Cinema Comentado Cineclube e CineSesc

23 fevereiro, 2010

Bocaiuva abre 188 vagas para diversos cargos

Sem muito alarde, tiveram início na sexta-feira passada, 19, as inscrições para o processo seletivo da Prefeitura de Bocaiuva, no Norte de Minas, com o objetivo de preencher 188 vagas de níveis fundamental (inclusive incompleto), médio e superior. 

Serão três processos para diferentes cargos e setores de trabalho como as unidades do Programa Saúde da Família, o Hospital Dr. Gil Alves e as secretarias municipais.

Os salários vão de R$ 510,00 a R$ 2.096,05 para os contratos que terão tempo determinado. 

As inscrições custam R$ 20,00, 30,00 e 50,00 para os cargos de nível fundamental, médio e superior, respectivamente.

Antes de fazer a inscrição, clique e leia atentamente os editais para cada processo seletivo: 




Os candidatos podem se inscrever até às 20h do dia 5 de março de 2010, no site do Instituto de Gestão Organizacional e Tecnologia Aplicada – IGETEC, executora do processo seletivo.